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Cafeína estudantil

June 2, 2007

Pois a indústria cafeeira, que dominou o poder político de São Paulo e Minas Gerais no fim do séc. XVIII até 1930 (quando houve a crise), é mais do que um mero produto direcionado à massa. Com sua utilização iniciada há mais de mil anos na Etiópia, o café tornou-se um hábito comum ao longo dos tempos.  Historicamente, a origem está nas cabras que comiam o fruto do café numa tal região Kaffa, que teria originado o nome. Dizem que elas ficavam ”loconas” assim, mas ativas (cabras dão leite né? deve ter sido aí que surgiu a primeira mistura :D ). Isso estimulou que o dono do rebanho também provasse daquele fruto que suas cabras loucas experimentavam. Vendo que o efeito fora essencialmente benéfico para suas energias e pensamentos, o pastor Kaldi começou a utilizar a planta sempre que lhe faltasse motivação. Depois a planta virou vinho, foi misturada à gordura animal e, por fim, chegou ao que é hoje.

Dentro do ambiente acadêmico, são vastas as filas para o cafézinho. Seja nas máquinas espalhadas pelo campus, ou mesmo nas coffee shops, restaurantes e lanchonetes, o hábito é o mesmo: vende-se muito café. Pela manhã – não sei de você, pelo menos pra mim - é o estopim de um novo dia. À noite é a certeza de que vou conseguir terminar de ver um filme ou virar a próxima página. Até mesmo uma linguagem de computador foi intitulada com o nome de um tipo de café (JAVA), pois para elaborá-la só mesmo muitas xícaras cheias e noites em claro para concluí-la com exatidão.

Nesses tempos de frio intenso no sul do país (e como faz frio), a bebida mais consumida no mundo é mais consumida ainda por aqui. Talvez se houvesse alguma pesquisa localizada, a bebida quente sorvida no pré-aula (ou mesmo durante, no intervalinho e depois), teríamos uma alta estatística de dissiminação do produto na Unisinos. Os tipos são muitos, variabilíssimos. Servidos em copos de plástico ou de isopor, até mesmo os professores possuem suas máquinas exclusivas (e de preço reduzido) em suas respectivas salas.

Temos muito café por aqui! E se pudéssemos somar em litros o que é bebido por dia na universidade? Ou o que é faturado? Não é exagero dizer que os números monstruosos, ainda mais se colocados em analogias físicas (como um rio, ou uma pilha de notas e moedas). colocar preços

Aí é que chegamos numa questão nada efêmera: vício ou simples hábito controlável? A cafeína é sem dúvida uma substância que causa dependência, mas não está presente apenas no café. Alguns refrigerantes também se beneficiam da química energética. Se pesquisas comprovam que o consumo regular de café é benéfico no controle de qualquer tipo de depressão, essa sensação de potência e bem-estar, fruto da endorfina, não estaria relacionada diretamente à cafeína? No entanto, beber refrigerantes não implica em algum resultado contra qualquer depressividade…

Talvez haja no café algo de místico carregado através dos tempos. Uma tradição que estabeleceu inúmeras formas de apreciação, tipos diferentes e únicos de preparar e apresentar o líquido de escuro charme. Até mesmo sua temperatura é relevante para se obter o paladar ideal. Há quem o prefira gelado, como acreditam empresas pelo mundo afora, colocando o café na mesma prateleira da cerveja.

Rentável e bem aceito pela cultura geral das sociedades, o ato de beber café é uma marca fantástica na história da humanidade. O fato de ser um vício ou um hábito comum, leva-nos à indolência mental de não se refletir o que esse ou aquele produto que diariamente consumimos pode nos acarretar ao longo do tempo. Por enquanto, os danos identificados são direcionados à área neurológica, onde sintomas como insônia, dores de cabeça, tremores e até crises de pânico já foram apontados como problemas originados pelo consumo excessivo de cafeína. No entanto, existem pesquisas que indicam o uso da substância na prevenção de diabetes, doenças no fígado e enfermidades cardiovasculares.

A indicação dos cientistas é que para um adulto sejam consumidas no máximo 4 xícaras de café/dia ( a metade para as crianças, com o acréscimo de leite).