Desde que a internet emergiu como a sensação das relações interpessoais e uma das principais fontes culturalizadoras e informativas, o homem segue um caminho de múltiplas faces. Os termos se somam à nossa língua em uma velocidade vertiginosa, e muitas vezes nem nos damos conta de que esse novo glossário, nada mais é que nossa realidade.

A denominação cibercultura já é tema de livros e teses, dentres as quais um livro com a palavra em si como título, ganha destaque. O filósofo francês, Pierre Levy, afirma que “as redes de computadores carregam uma grande quantidade de tecnologias intelectuais que aumentam e modificam a maioria das nossas capacidades cognitivas”. A última, para quem não sabe, é relativa ao conhecimento. E isso é o que está mudando nosso cotidiano, e até mesmo nossas noções de formação da sociedade. Ou seja, estamos sendo alterados pelas novas tecnologias!
Estamos cada vez mais envoltos na digitalização de nossa cultura, importando mais e mais conceitos vindos de chips e redes mundiais cibernéticas. O filme “Violação de Privacidade” é um exemplo de como em uma realidade futura, poderemos ir além de nossa memória com nossos utilitários digitais.Um chip de computador instalado no sistema nervoso central de pessoas nascidas em famílias ricas norte-americanas possibilita a gravação em imagem e som de toda a vida do indivíduo.
Dada a morte, o proprietário do chip tem sua vida vista pelos familiares e amigos em uma sessão chamada “rememória”, uma espécie de vídeo em que o cunho principal é a existência honesta e serena vivida pelo protagonista. As passagens ruins e atrocidades feitas por cada um de nós é apagada, cortada, por um editor que seleciona as cenas para os videoclipes que lhe são encomendados. Robin Williams interpreta um personagem que, através da ciberculturalização, visita as lembranças de todos os clientes como um redentor de pecados, assimilando as mais diversas experiências sem andar um passo sequer.
As formas de comunicarmos com o mundo e interpretar (além de atuar) empiricamente, com nosso apelo virtual ao conhecimento, nos aproxima da própria verdade de um filme de ficção científica. Estamos em pleno movimento, em constante disparada, sem qualquer gota de suor, à mercê de nossa própria imaginação.
Hoje, há uma geração que busca festas impregnadas da cultura resultante do ciberespaço. “Infected Mushroom” é o nome que a dupla de Djs israelita, Erez Eisen e Amit Duvedevani, escolheu para invadir o mundo todo com o trance psicodélico. O som deles é tirado de seis tipos de teclados eletrônicos, cinco aparelhos de efeitos sonoros digitais, dois mixers, dois samplers (que reproduzem sons pré-gravados) e mais uma dezena de programas de computador. Essa mistura acabou em uma inusitada criatividade aplaudida por jovens enlouquecidos nas pistas de dança.
Enquanto muitos ainda descredibilizam o conteúdo da internet, duvidando da qualidade da informação e até mesmo da veracidade de suas ações globais, cresce de outro lado uma forma única de ver o planeta: de apenas um lugar, à frente do monitor, para entender e se expressar em todos os cantos virtualmente possíveis.


Depois de um semestre parado, inútil intelectualmente, volto a estudar. É uma experiência que requer fôlego.